terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Madrasta é sempre má?


Eu sou madrasta. Mas não madrasta no sentido amplo da palavra. Não aquelas madrastas que as meninas veem em desenhos da Disney e que servem maçã envenenada para a enteada. Para entender a história, é preciso voltar um monte um pouco no tempo...

Conheci o Mr. P quando eu tinha 17 anos e ele 32 no local em que eu estagiava. Ele tinha uma namorada e eu sabia que ele tinha dois filhos, mas não sabia muitos detalhes da história. Um tempo depois, quando fiz 18, viajei a trabalho e nessa viagem me aproximei do Mr. P, ele tinha rompido com a namorada que eu conheci no nosso local de trabalho. Começamos a falar da vida e eis que ele me falou dos filhos. Ele tinha um casal: uma moça de 11 anos e um menino de 6 e explicou que eram de mães diferentes, sem dar mais detalhes. Logo, pensei: nossa, que galinha que legal!

Daí que eu me envolvi com ele e começamos a sair. Claro que eu pensava que aquilo era uma aventura para ele, afinal, eu era uma menina que só tinha vento sonhos na cabeça e nada mais e ele já tinha sido casado, separado, tinha filhos, etc. Mas aí o envolvimento foi ficando mais firme e meu coração sacana se apaixonou de vez, até que assumimos um relacionamento sério. Dois meses depois conheci seus filhos. A L. que era uma fofa, gordinha, tímida e o Pequeno P, que ainda era pequenino, com 6 aninhos e uma onda de amor tomou conta do meu coração de uma maneira que eu jamais conseguiria explicar.

Então eu assumi esse papel para a minha vida e cinco anos se passaram. Hoje a L. é uma moça linda, não mais gordinha e sim um mulherão que o papai morre de ciúmes é apaixonado. Eu e a L. falamos todos os dias sobre tudo, desde marca de produto de beleza até de sentimentos e eu sou muito apaixonada por essa menina, sonho que minha filha seja assim, como a irmã.

O pequeno P é um pouco mais afastado de nós, mas às vezes decide passar um final de semana com o papai e é um garoto educado, calmo e EXTREMAMENTE tímido, por isso a nossa conversa nunca evoluiu para algo mais que “está com fome? Quer jantar? Já tomou banho?” e coisas do tipo. Mas esse é o jeito dele e ele é assim não só comigo, mas também com o pai e com a irmã mai velha, já que a mais nova ainda não fala rsrsrsrs

Os filhos do meu marido não moram comigo e a nossa relação está longe de ser como mãe e filhos, mas posso dizer que o fato deles existirem me tornou uma pessoa melhor em muitos sentidos, me fez criar responsabilidades que só uma mãe precisa ter. Me fez aprender a sair catando shampoo, toalha e tênis no meio da casa na hora de voltar para a casa da mãe. Me fez aprender nomes de heróis de quadrinhos e levar bronca quando fazia confusão de nomes. Me fez ficar vários sábados à noite em casa com eles assistindo filme e comendo pipoca na maior alegria do mundo, sem querer sair dali. O fato deles existirem me fez chorar de saudades quando passei um tempo separada do pai deles e não os via mais. Me fez ser cúmplice de uma mocinha entrando na adolescência e cheia de segredinhos que o papai não podia saber.

Hoje sou mãe de uma linda menina de 2 meses e, não digo que estava preparada, pois a gente nunca está, mas digo que foi muito mais fácil por causa da existência dos filhos do meu marido.

Hoje tudo continua igual. Nossos sábados são de filmes, games, passeios no shopping e preguiça familiar em um sofá dividido por quatro e às vezes até por cinco quando o pequeno P resolve vir também. E digo, sou muito feliz com isso. Essa é a minha vida e eu posso dizer que sou abençoada. Sou esposa, sou madrasta (odeio esse termo) e agora mãe. 

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