Na semana em que faria um mês, Lorena começou a fazer o seguinte: mamava 5 minutos em um peito e começava a tirar e a botar a boca inúmeras vezes, irritada. Eu mudava de peito e o processo se repetia até que ela perdia a paciência totalmente e abria um berreiro sem fim. Ela tem refluxo e já estava em tratamento, mas mesmo assim levei ao pediatra. Lá eu expliquei a ele que a produção de leite estava normal, inclusive meu peito vazava o dia inteiro. Ele mudou o medicamento e nada resolvia, Lorena continuou fazendo todo esse processo do tira-bota-irrita-chora, um verdadeiro sofrimento para mim e para ela.
Procurei o Banco de Leite Humano e pedi ajuda. Uma enfermeira veio me ajudar umas 3 vezes, mas nem ela com toda a sabedoria conseguiu fazer a Lorena mamar em paz como antes, tudo era regado a muito choro, pois ela ficava com fome.
No exato dia em que fez um mês, depois de uma crise de choro absurda e eu tentando amamentar em todas as posições possíveis, inclusive colocando meu leite na mamadeira (ela sentia o gosto e cuspia tudo fora), meu marido pegou o carro e saiu em busca do Leite Artificial, o leite que, se eu pudesse, NUNCA teria dado para a minha filha. mas naquela noite eu não tinha escolha, minha filha estava com fome e não conseguia se alimentar. Ela mamou 90 ML de LA e dormiu tranquila, sem choro de fome e eu pude descansar a minha cabeça que estava a mil.
Hoje ela tem dois meses e eu intercalo os dois, mas em relação ao peito ela continua do mesmo jeito, se irritando na hora de mamar. Ela Só não se irrita quando está sonolenta e eu dou de mamar sem ela perceber. Digamos que ela mama 80% LA e 20% LM durante o dia.
Me dá muita dor ser julgada diariamente pela minha mãe, sogra, cunhada, amigas, tias... Todo mundo fica espantado quando vê que dou LA para a Lorena. O mais interessante de tudo é que ninguém quer ouvir a história do meu sofrimento e do dela, do quanto insisti e não consegui manter a amamentação exclusiva. Quando vou falar que minha filha estava literalmente passando fome, as pessoas parecem tapar os ouvidos e não ligam. É como se eu fosse um monstro. Um monstro que não amamenta.
No final de semana passado eu viajei com a família do meu marido e, na mesma casa em que estávamos, tinha um bebezinho um mês mais novo que a Lorena, mas o menino era muito maior e mais gordo que ela, ela perto dele ficava pequenina demais. Ele só mama leite materno, o que foi um canal para as mais diversas comparações, claro. Todos da casa, digo TODOS, menos meu marido, me criticaram até onde puderam. Eles ''conversavam'' com o menino coisas do tipo: ''Ah, você vai crescer saudável, pois não toma aquele leite ruim que a Lorena toma"; ou então pegavam minha filha e diziam: ''Tão magrinha, coitadinha...". Foi tanta pressão que em um determinado momento fui no quintal da casa e chorei igual uma criança.
Durante à tarde tentei dar o peito a ela na varanda da casa, o local mais calmo que tinha e daí começou o chororô. Todo mundo correu pra ver o que era, lógico, e puderam ver a cena que eu descrevia e ninguém acreditava. Apesar de eu ter ficado triste pelo choro da minha filha, fiquei feliz porque ali senti que de certa forma eu calei a boca deles por alguns dias pelo menos. Talvez alguns tenham entendido que não é questão de querer ou não.
Mas o cúmulo dos cúmulos foi a tia do meu marido querer colocar minha filha para mamar na outra mãezinha que estava lá, que era mãe do menininho. Descartei logo a ideia de cara, disse logo um sonoro não. Não quero ser melhor que ninguém, mas minha filha é minha e é só em mim que ela deve mamar. E leite por leite eu também tenho, o problema é que ela não quer mamar. Nem se eu colocar na mamadeira o meu leite ela não aceita, o motivo disso nem eu e nem os médicos conseguimos descobrir.
A ideia que quis passar com o meu relato é que não se deve julgar assim uma mãe. Só sabe da realidade quem passa por ela. Eu seria um monstro se tivesse feito como a esposa do meu tio fez, que comprou uma lata de NAN antes de ir para a maternidade e uma semana depois do parto começou a tomar remédio para secar o leite, pois o peito dela poderia ficar caído e isso é o fim do mundo, né?
Graças a Deus o meu marido me apoia e me defende a cada alfinetada. Inclusive até combinei com ele de não rebatermos mais às críticas, pois isso cansa e desgasta o relacionamento com os ''juízes''. Silêncio no nosso caso é a melhor resposta, pois somos nós dois que a criamos e aguentamos todas as adversidades. Ufa, desabafei. Estava precisando.
Beijos!!

Oi querida, tinha lido relato do seu parto, e agora li esta postagem... É muitas ignorância das outras pessoas ficarem nos julgando não é? Mas independente de amamentar ou não, o amor pelos nossos filho continua o mesmo.. O que não dá é para deixar o bebê passar fome... Continue firme e ignore comentários negativos!!!
ResponderExcluirBoa sorte!
paginasdacarol.blogspot.com
Olá querida! Achei seu blog no EF. Comentei no seu post e volto a dizer q foi horrivel todos esses julgamentos!!!
ResponderExcluirNão ligue pra isso! Importante é q vc sabe q fez tdo q podia e que agora sua filhota tá bem!
bjs
http://espelhomaterno.blogspot.com.br/